sábado, 13 de fevereiro de 2010

Skinner e Yvonne

Os novos moradores da minha casa são um casal de Periquitos Australianos ou Budgerigars (Melopsittacus undulatus). Juntamente com os canários, são as aves mais comuns criadas em gaiolas como animais de estimação, já que são fáceis de cuidar e dóceis no convívio.

Adaptaram-se facilmente a nova moradia, atraindo outros pássaros livres. Eles nasceram em um criadouro próximo ao Rio Canoas, em meio a centenas da mesma espécie e dezenas de Calopsitas. Um pedaço de terra em que tudo dá com qualidade, sejam frutas, plantas e animais. Foram escolhidos por mim a dedo e capturados pelo criador para que pudesse trazer para minha casa.

O macho de pelagem amarela esverdeada recebeu o nome de Skinner, homenagem ao fundador da Análise do Comportamento, B. F. Skinner, que propôs uma abordagem em psicologia na busca de compreender as raízes do comportamento humano por meio de uma metodologia científica experimental. Sua proposta revolucionou a psicologia e se disseminou mundo afora.

Hoje o Brasil possui o segundo maior número de analistas de comportamento, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, terra natal de Skinner. Países Orientais, como a China e Jordânia começam a receber pesquisadores renomados para formar analistas de comportamento com objetivo de tornar a psicoterapia comportamental acessível a um número cada vez maior de pessoas.

Skinner presidiu o Departamento de Psicologia da Universidade de Indiana e integrou o Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard alguns anos mais tarde, onde ficou até o fim da sua carreira. Casou-se com a especialista em língua inglesa e história da arte Yvonne Blue e teve duas filhas: a pedagoga Julie e artista Deborah. Julie dedicou-se a continuar os passos do pai, tive o prazer de conhecê-la em 2004, quando esteve no Brasil.

Dez dias antes de morrer, Skinner recebeu um prêmio da American Psychological Association e deu uma palestra para um auditório lotado. Embora já bastante debilitado fisicamente, repetiu com clareza de raciocínio as idéias que defendeu durante toda a sua vida. Seu último artigo foi finalizado no dia em que morreu, em 18 de agosto de 1990.

Skinner, meu periquito, é sério e tranqüilo. Já Yvonne é brincalhona e mais agitada, gosta de saltar de um poleiro ao outro e de fazer brincadeiras com Skinner, que corresponde. Ainda não aceitam frutas, apenas os grãos. Skinner gosta de carinho no peito, Yvonne gosta de dar bicadas no meu dedo. Deixaram a casa mais alegre e com mais vida, não moro mais sozinho.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

1 ano de Observatório!


O primeiro post publicado foi "Resgate" em que digitei um texto escrito aos 9 anos. Do dia 16 de Fevereiro de 2009 até hoje somam-se mais de 60 textos e 70 aforismos.
O incentivo de alguns amigos foi importante para iniciar esta empreitada: Ricardo Pelosi me apresentou (ou presenteou) ao olhar peculiar e poético de Rubem Braga , o que funcionou como mola propulsora para escrever; Luciano Fiscina foi o primeiro a visualizar o Blog e a comentar os textos, o que foi fundamental para estimular os que vieram em seguida; Weberson Santiago, ilustrador cada vez mais famoso, que disponibilizou seu amplo acervo para ser utilizado desde a criação deste blog.
Começou em paralelo as minhas atividades no Mestrado em Psicologia Experimental, para contrabalancear mais de três anos debruçados no estudo experimental do comportamento verbal. Aqui, me permiti falar do que deu vontade tendo como tema os comportamentos, sem recorrer a casos clínicos. Dar ênfase ao que muitas vezes passaria despercebido no cotidiano.
O principal compromisso, a princípio, seria comigo mesmo. Inicialmente, escolhi a segunda feira como dia de publicação, como forma de deixar este dia da semana mais interessante. Raras foram as semanas sem escrever, o que mostra o quanto este espaço é importante para mim.
Quanto ao leitor, percebi que muitos lêem, mas poucos comentam por escrito (muitos comentam verbalmente, em particular). A leitura silenciosa para mim basta, afinal, se promovi reflexão sobre aquele assunto, este espaço cumpriu sua função enquanto OBSERVATÓRIO DE COMPORTAMENTOS!

O primeiro banner que fazia fundo para o título Observatório foi a ilustração acima, como sempre, do Weberson.

Salute!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Bico de Lacre

Ele apareceu na boca da Mel, uma labradora de cor chocolate devoradora de pássaros. Apesar de dócil e até medrosa, usa os pássaros como brinquedo, sem se importar com o quanto é fúnebre. Sara correu assim que viu, não é a primeira vez que os salva, mesmo que custe abrir a boca da mel como se fosse um crocodilo. Esse custou mais trabalho, tratava-se de um Bico de Lacre (Estrilda astrild).

Há quem o chame de Bico de Lata, mas suas características principais são: o tamanho pequeno (comprimento: 10,5 cm; peso: 7,5 g) e o vermelho do bico e na sombra dos olhos que se destaca na penugem acinzentada. A salvo da mel, foi levado pela Sara até um jardim fechado e seguro.

Saímos em busca do ninho ou da mãe, pois alçava os primeiros vôos rasantes. Nenhum sinal da família e resolvi trazê-lo pra minha casa, já que não tenho cachorro nem gato. A Sara aprovou a idéia de mais chance de sobrevivência, mesmo que longe dela. Depois de uma longa busca no Google dos cuidados corretos e uma ligação a um criador, passei a alimentá-lo. Resolvi que não o deixaria preso, mas que colocaria numa gaiola para alimentá-lo até que pudesse se cuidar.

Não gostava que ficasse muito em cima, mas ficava calmo quando solto no meio das pessoas. Me acostumei com a companhia no primeiro dia e já contava com ela nos próximos. No meio de uma conversa fui procurá-lo e ele havia escapado da gaiola. Sempre tentava, mas não passava, até que achou um locar possível e fugiu. A procura terminou vinte minuto depois, quando o achei no quartinho do quintal.

Resolvi acreditar no seu “grito de liberdade” e disponibilizar alimento deixando-o solto. Parecia capaz de caçar insetos e de fugir com rapidez, como quando ia atrás dele. Ele acabou voltando pra dentro de casa e deixei-o solto durante e noite. Na manhã seguinte não o achei. Me senti egoísta até, por querer que dependesse de mim e ficasse por aqui. Pensei “devo aceitar a partida para a vida, deixá-lo voar por aí”. Em outros momentos, o imaginava pródigo, voltando para mostrar que conseguira sobreviver e reconhecendo minha ajuda para isso. Foi aí que fiz aquilo que boa parte dos amantes fazem quando são abandonados, substituí o insensível.

Fui até um criadouro de calopsitas e periquitos australianos. Centenas deles, bem cuidados e criados. Decidi levar um casal e pude até escolher. Batizei o macho esverdeado de Frederick Skinner (ou só Skinner para os íntimos) e a fêmea azul decidi que pesquisaria o nome da esposa de Skinner quando chegasse em casa.

Tudo certo com o casal, descobri que a esposa de Skinner chamava-se Yvonne Blue Skinner, o que casou bem com a cor azul dela. Em breve posto uma foto de Skinner e Yvonne, que ainda estão se adaptando a nova casa.

Hoje pela manhã, a Glaucia foi arrumar a casa e achou o Bico de Lacre 36 horas depois do sumiço, morto debaixo de um móvel. Fiquei chateado, podia tê-lo mantido na gaiola para alimentá-lo, mas isso não garantiria a sua sobrevivência. A Sara ficou chateada com a morte daquele que ela salvou, mas vem dormir aqui hoje para conhecer o Skinner e a Yvonne. Faremos o enterro do Bico de Lacre, que sequer teve tempo de ser batizado.








08/02/2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

E o sol se põe...



Estrada vicinal São José do Rio Pardo - Mococa, 03/02/2010, 19:56

Perspectivas

Na mesma medida em que algumas perspectivas vão por terra, outras novas parecem cair do céu. A perspectiva só pode ser vista se considerarmos que a todo momento estamos diante de escolhas, e que cada uma delas implica na renúncia de algo. Até para a seleção natural, proposta de Charles Darwin para compreensão da evolução, há escolha de uma característica importante para a sobrevivência da espécie em detrimento de outra. Essa escolha tem implicações. Para ter boca, ganhamos o queixo. Para usar a perna para locomoção, ganhamos articulações. Para pegar objetos, ganhamos um polegar que se opõe aos outros dedos.

A perspectiva que cai por terra nada mais é do que uma opção de escolha que deixa de estar disponível. A perspectiva que se abre passa a ser então uma nova opção de escolha ou os novos pesos das escolhas que permaneceram. Olhando nua e cruamente não haveria possibilidade de lamentação, já que minimamente existem perspectivas remanescentes ao invés de novas. O tempo gasto na lamentação seria perdido.

Talvez a melhor saída seria substituir onde o tempo é gasto. A lamentação pode ser substituída no planejamento, em que se pergunta onde quer estar a curto, médio e longo prazo. Daí certamente surgirá a tal. Também pode ser trocada por novas maneiras de enxergar a situação presente, acrescentando novos pontos de vista e, conseqüentemente, novas possibilidades de manejo da situação.

Não se deixe levar pelas perspectivas que vão por terra abaixo. Olhe para cima e verá as novas perspectivas acenando cada vez mais próximas.

03/02/2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O que eu espero da psicoterapia?

Espero que ela me ajude a organizar o que estou, sob a forma de autoconhecimento.

Espero que ela não me deixe passar por situações importantes sem parar pra olhá-las.

Espero que me mostre mais uma perspectiva naquilo que eu acabei de relatar, que nada mais é que um único ponto de vista.

Espero que exercite minha competência em mudar as estratégias, sobretudo aquelas que não têm tido o resultado esperado.

Espero que a minha relação com o terapeuta seja natural, mas não como qualquer outra.

Que permita a minha expressão sem me preocupar com a reação do ouvinte.

Que possa me ajudar a entender os caminhos percorridos em minha história de vida,

E que esteja presente comigo construindo o futuro.

Porque quem faz terapia, acredita na capacidade de mudança.

E descobre que tem coisas que só se aprende quando se está em terapia.









29/01/2010

O Lugar do Terapeuta