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sábado, 10 de maio de 2014

Orgulho de Mãe

Arte de Weberson Santiago



Se você tem dúvida do quanto uma mãe se orgulha dos seus filhos, observe apenas um detalhe: aquela correntinha com os pingentes que representam os filhos que ela tem.
O pingente que mostra a maternidade é como uma medalha no pescoço de uma mãe. Ela o coloca porque gosta de exibir o quanto ela é mãe. Não é pelo número de pingentes, é pelo amor que ela tem por cada um dos que estão ali representados.
Ela deu a luz, está amamentando e arrumou um tempo para comprar o pingente.
Carregando a criança no ventre durante nove meses, ela se encarregou de criar um mundo especial entre quatro paredes para que ele ou ela saia do ventre e tenha um quarto perfeito.
Acolchoou as superfícies duras, impermeabilizou tudo para evitar que a criança não venha a se sujar ou não fique úmida. Cobriu de pano tudo o que era áspero, impediu que qualquer coisa fria pudesse dar calafrios no seu rebento.
Pintou tudo de cor clara para ficar agradável, pendurou a cortina para a luz não ofuscar sua vista ou atrapalhar seu sono diurno. Envolveu o berço de véu para inseto nenhum chegar perto. Quer que o filho fique tão seguro no mundo quanto está na sua barriga.
Quando nasce, ela mata a curiosidade de ver como o filho é. Ainda assim, ela não sabe a cor do olho, não tem ideia de como será o cabelo quando crescer, só sabe se é menino ou menina, mas já se orgulha do filho que tem e acha que ele ou ela é o mais bonito do mundo.
Enquanto a mãe carrega o pingente como uma medalha em seu pescoço, assim que o filho nasce o pai se encarrega de comprar uma roupa do seu time para ver se consegue convencê-lo a seguir sua paixão.
A mãe lhe considera um motivo de orgulho e carrega seu pingente perto do coração para ver se aguenta a saudade durante o dia. O pai impõe o escudo do seu time no peito do filho para que ele o represente enquanto estiver longe.
Nós pais parcelamos todo o nosso amor em algumas condições, condições estas que vamos anunciando assim que a criança é capaz de entender.
Amo o meu filho, mas amarei mais se ele torcer pelo mesmo time que eu.
Amo o meu filho, mas amarei mais se ele seguir a minha profissão e cursar a mesma universidade que eu.
Amo o meu filho, mas amarei mais se ele gostar do mesmo tipo de música do que eu.
Se o amor materno existe antes do filho ser, o amor paterno depende do que o filho será.
É fácil amar o igual, difícil é amar o que constatamos ser diferente de nós ou das nossas expectativas.
O homem é tão egoísta que, quando o filho acerta, puxou pra ele. Quando o filho erra, puxou pra mãe. Quando o filho erra, ele literalmente é um filho da mãe.
Quando um filho erra, o pai se afasta. Quando um filho erra, a mãe dá o colo.
Feliz do filho que tem uma mãe e um pai que deixam as suas vontades de lado, que conseguem abrir mão de um individualismo orgulhoso. Olhar com a bondade do orgulho, sem condições ou restrições, é realmente estar ao lado do filho durante o seu desenvolvimento. Os filhos precisam do nosso orgulho e da nossa aceitação para crescer.
Quando o assunto é orgulho, os pais precisam aprender com as mães.

UM CAFÉ E A CONTA!
| Mãe é mãe quando o seu amor é incondicional.

Publicado no Jornal Democrata, coluna Crônicas de Padaria, capa do caderno Dois, 10/05/2014, Edição Nº 1303.