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Arte de Weberson Santiago |
Já foi
considerado defeito de fábrica, mas nada mais delicioso do que uma mulher safada.
Ser parceiro
de uma mulher safada é como ganhar na loteria. Você ganha tudo aos montes. Os
beijos têm mais línguas. Os perfumes demoram mais a sair das narinas. As curvas
parecem descida de serra para o litoral: parecem não ter fim e os parceiros
terminam molhados.
Safada
sem nenhuma vergonha de ser chamada assim. Sem-vergonha de ser assim:
despudorada, ávida, desejosa. Faminta de sexo e de amor. Sedenta de viver com
intensidade. Não ser chamada de safada pelo insulto, “mas por mérito da
malícia, como virtude da insinuação, pelo atrevimento sugestivo”, como poetizou
Fabrício Carpinejar. Não a safada, mas a sa-fa-da.
Pronunciado com a canalhice do sorriso de canto de lábio.
Não a
mulher safada que coleciona os homens que seduziu, mas a mulher safada que
escolhe colocar toda a sua safadeza em prática com o homem que escolheu se aprofundar
na relação. A safada que lhe manda flores para o cara no aniversário de
relacionamento porque não gosta de ser convencional.
A safada
que sabe o que quer entre quatro paredes, não por falta de educação, mas para satisfazer
o seu desejo. Não por obediência do corpo, mas em
nome da profundidade da alma. Safada por opção, não pela infelicidade de uma
traição ou por uma falta de pudores. A Safada Irresistível que é o par perfeito
para o Adorável Canalha, tão bem definido pelo Carpinejar.
A
safada. Como uma pegada de jeito que usa a língua portuguesa ao invés das mãos.
Não como depreciação, e sim como admiração. Um
elogio para dizer que é impossível domesticar, é impossível prender essa mulher.
Safada como um pokemon que evoluiu da mulher "sem-vergonha".
Bem
diferente da trapaceira, que não é verdadeira e seduz com interesses
secundários, ou da devassa, alguém que não presta nem para ser safada e invade
a vida de alguém para fazer estragos.
Eu me desmonto
ao estar diante de uma mulher safada. Uma safada que significa o contrário do
dicionário. Nem perca tempo consultando o Michaelis e o Houaiss, que não
incluem o sentimento da pronúncia. Estou falando da safada que evoca o desejo
de desvendá-la. A safada que se descobre algo interessante e novo a cada
encontro.
Safada
funciona como um ataque. Não uma violência gratuita, mas uma tentativa de tiro certeiro
para uma conquista definitiva. Uma tentativa sempre em vão. Não há isca que
fisgue uma safada, porque ela sabe que a graça é fazer com que ele a conquiste
a cada dia. É irresistível se entregar a dela.
Quando
for escolher uma mulher para se entregar, não tenha dúvida: escolha uma mulher
safada. Ou ela escolherá você.
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| Não adianta resistir, agora é a vez das mulheres.
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Publicado no Jornal Democrata, coluna Crônicas de Padaria, caderno Dois, 07/04/2018, Edição Nº 1506.


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