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| Arte da Stephanie, a vendedora de faixas. |
Há
alguns dias assistia a um programa da televisão aberta que contava a história
de uma moça que sacou o seu salário e foi assaltada, perdendo todo o dinheiro
disponível, cerca de R$ 2.500 reais, para pagar suas despesas. Ela reconheceu
que a frustração tomou conta naquele dia. Sua mãe lhe disse que ela não devia
reclamar porque tinha os braços e as pernas e era jovem para batalhar por mais
dinheiro. O pai disse que dinheiro vai e vem, e que isso faz parte da vida.
Com as
contas a pagar, a única alternativa que veio à sua cabeça no dia seguinte, ao
olhar no espelho e ver a faixa de cabelo que sempre elogiavam quando ela usava,
foi investir os R$ 100 que sobraram para fazer faixas e lenços de cabelo para
vender e, assim, conseguir pagar suas contas.
O que
seria um plano de salvamento para sua vida financeira se tornou uma segunda
fonte de renda e, atualmente, seu principal trabalho. Ao invés de se lamentar e
esperar uma resolução mágica, ela buscou um outro caminho. De um episódio
desagradável, ela encontrou um caminho de realização.
Neste
mesmo programa, outro entrevistado foi o ator João Vitti, que deu um depoimento
contando que quando seus filhos eram pequenos, ao passar por dificuldades
financeiras devido à ausência de trabalho, começou a fazer pães artesanais para
vender. Foram investidos R$ 4 reais, na época, para a primeira fornada.
Começou
oferecendo aos amigos e vizinhos, então a propaganda boca a boca fez as vendas
aumentarem e, meses depois, entregava 600 pães para restaurantes paulistanos.
Quando seu filho Rafael era adolescente, vivia pedindo R$ 50 reais para sair
com os amigos. Incomodado com a facilidade com que o filho repetia o pedido
durante um único fim de semana, João ensinou Rafael a fazer pães para conseguir
seu próprio dinheiro, e entender qual é o custo do trabalho que lhe daria
acesso ao lazer. Rafael contou que ele conseguiu ganhar R$ 1.000 reais
inicialmente com os pães, o que para ele era uma fortuna.
As duas
histórias contam como a privação incentiva a criatividade. Mais do que isso,
que diante de um problema, de nada adianta ficar parado e lamentar. Ilustram
que a resolução do problema é encontrada com um comportamento ativo na direção
da solução.
Os
exemplos dados no programa mostram que uma situação desagradável esconde uma
oportunidade de reinvenção e aprimoramento. Que soluções estão sempre disponíveis,
mas que é preciso de flexibilidade comportamental para encontra-las e produzi-las.
Perdeu
ou está sem dinheiro? Comece o dia pondo uma faixa colorida no cabelo, faça uma
receita de pão caseiro e saia por aí.
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| Tem um problema? Ponha sua
criatividade para trabalhar!
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Publicado no Jornal Democrata, coluna Crônicas de Padaria, caderno Dois, 10/03/2018, Edição Nº 1502.


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