![]() |
| Arte de Weberson Santiago |
Tenho um
vício e gostaria de reconhecer para, quem sabe ao torna-lo público, possa ficar
menos escravo dele.
Como
todo vício, começou na adolescência, por influência de outras pessoas. Quando
dei por mim já não conseguia viver mais sem usar. Quando me dei conta, meu
corpo havia se tornado escravo, não de uma, mas de duas substâncias.
Qualquer
situação pede: se estou ansioso ou se estou desanimado; se estou entediado é
para me distrair; se algo de bom aconteceu, uso para comemorar; se me pego frustrado, é para afogar as mágoas. Quando conheço um novo amigo, o convite para o uso é para
confraternizar. Se reencontro um amigo de infância, o ritual é para relembrar
os velhos tempos.
Eu bem
que já tentei parar, mas não consigo. Queria fazer um clareamento dental, mas
só de pensar em ficar sem, vou adiando a consulta ao dentista.
Não é
nada fácil ser viciado em café com leite.
Quem
inventou essa mistura sublime não tinha boas intenções. A combinação é
perfeita: o leite cremoso e o café encorpado. O branco e o preto que formam uma
das cores que mais gosto: o café-com-leite.
A
proporção ideal varia conforme o gosto do usuário. Mais claro ou mais escuro.
Eu prefiro o leite integral com café expresso porque a espuma do leite obtida
com o vaporizador se junta à espuma do café expresso. Cremoso! Meu maior prazer
é estragar a arte desenhada na espuma do café com leite feito pelo barista – o
nome que se dá ao especialista em café e suas combinações em receitas.
Mas tem
dias em que o pingado de café coado é o pedido ideal. Mais fraco, e não menos
saboroso!
Peraí. A
boca salivou com essa detalhada descrição e fui tomado pelos sintomas de abstinência.
Preciso de uma dose.
Pronto,
de volta para a redação.
O café
com leite servido em uma xícara de chá de boca larga é minha banheira de
espuma. O servido no balcão em copo americano é a minha dose de cachaça. O
expresso com espuma de leite é meu antiácido.
Tenho
alguns álibis para justificar o vício: meu avô Raul tomava uma dose de café com
leite de manhã e outra no fim da tarde. Culpa da genética!
Já que
não consigo largar, pelo menos posso me orgulhar de ter a consciência de ser um
dependente e de assumir o meu vício.
| Tomar um cafezinho é um comportamento de fuga daquilo que estamos
fazendo e que é cansativo.
|


Um comentário:
Amoooo tbem e meu pai amava acho que puxei a ele kkk
Postar um comentário