![]() |
| Arte de Weberson Santiago |
Maria
Celeste estava cansada da vida.
Cansada
dos problemas financeiros por conta da crise. Do aumento das contas e do
salário que não é suficiente para pagá-las. De viver apertada. De não poder dar
tudo o que gostaria para os seus filhos.
Cansada
da roubalheira da política, de ter de pagar pela inconsequência da ganância
alheia. Ela que nunca roubara nada, que cresceu com o pai repetindo que “se
para vencer estiver em jogo a sua honestidade, então perca. Assim será sempre
um vencedor.” Ela que não gostava de apelar ao jeitinho, estava enojada de se
deparar com pessoas tentando usar da esperteza para beneficiar a si mesmo, prejudicando
as outras.
Exaurida
de ter de cuidar dos problemas de saúde de seus pais idosos. De se deparar com
o medo de perde-los, de angustiar-se ao vê-los experimentando a decadência do
corpo e o fim da vida.
Cansada de ser julgada. Pelos professores da escola
pelo desempenho dos filhos. Pelas amigas pela falta de cuidados consigo mesma.
Pelo patrão que não entendia seus problemas particulares. Por si mesma, que não
aceitava os quilos ganhos e se culpava de vez em quando por não conseguir
emagrecer.
Maria
Celeste estava exausta de tanto correr e cansada de não ter férias. O ano havia
passado rápido e ela estava cansada. Quando percebeu, o Natal estava chegando
de novo.
Foi
quando ela se viu irritada só de pensar que teria de montar a árvore de Natal e
enfeitar a casa que Maria Celeste percebeu que algo estava errado com ela.
Ela
havia sido consumida pelas dificuldades e, mesmo que estivesse dando conta das
demandas de sua vida, em muitos momentos era tomada por sentimentos e
pensamentos negativos. Tinha horas em que ela queria sumir, desaparecer.
Maria Celeste
percebeu que, se nada fizesse, passaria o Natal sem fé. Tomou a decisão de
cuidar de se mesma. Aproveitou a pescaria do marido no fim de semana e mandou
os filhos para a casa da avó. Ela aproveitaria seu final de semana.
Ajeitou
a casa, tomou um banho de ervas e sal grosso, arrumou os cabelos e fez a unha.
Quando ficou pronta, sentou-se no sofá com as pernas esticadas e pôs-se a
pensar na vida. Fez uma retrospectiva de tudo o que tinha passado.
Se
perguntou quem ela era, o que estava fazendo na vida naquele momento, por que
havia feito cada uma de suas escolhas. Foi preciso parar tudo para que Maria
Celeste pudesse se recolher e sentir um pouco de paz. Ela precisou deixar tudo
de lado para entender o motivo de cada coisa que faz.
O
presente de Natal de Maria Celeste foi um fim de semana consigo mesma, e mais
ninguém. Foi o suficiente para ela recomeçar a rotina com mais sentido depois
de olhar a sua própria vida como se estivesse de fora. O que ela precisava era
descansar de viver. Uma pausa consigo mesma.
Maria
Celeste recuperou sua fé a tempo. Natal sem fé, não é Natal. Natal é renascimento.
E ninguém renasce sem acreditar.
|
| Meu desejo de um Natal com Fé para vocês que acompanham esta
padaria de crônicas.
|


Nenhum comentário:
Postar um comentário