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| Arte de Weberson Santiago |
Quando eu estiver com raiva, me dê tempo para entendê-la e deixa-la
passar. Se estou com raiva é porque me senti agredido. Pode ser que não tenha
sido a intenção da pessoa, mas foi o efeito da atitude dela sobre mim. E pode ter
sido intencional também. Só não me cobre que eu finja que não estou com raiva.
Com o tempo, ela passa.
Quando eu estiver triste, permita que eu passe um tempo sem dar meu
melhor e até sem ser aquele de sempre. Sou humano e não consigo manter a
excelência o tempo todo. A tristeza é um sentimento que faz parte da vida. Não
é saudável aquele que quer parecer feliz o tempo todo e empurra a tristeza para
debaixo do tapete. Já dizia a música do Frejat: “que você descubra que rir é
bom, mas que rir de tudo é desespero”. Encarar a tristeza me deixa mais
sensível para me encantar com as coisas boas, ainda que pequenas, da vida.
Quando eu estiver mal-humorado, entenda que esgotei todos os meus
recursos para enfrentar as adversidades. Me avise se estiver descontando em
alguém, mas evite me cobrar o bom humor. Isso porque é o excesso de cobranças,
as minhas próprias e as dos outros, é que me deixaram assim. Eu sei que não é
bom conviver com alguém mal-humorado, mas eu também não gosto de ficar assim.
Quando vejo que estou ficando, busco me recolher, me poupar e fazer coisas que
relaxam para que eu possa retomar a alegria e a esperança.
Quando estiver irritado, me dê um tempo. Me deixe quieto no meu canto.
Quando eu estou assim, fico como um porco espinho. Quem se aproximar, acaba se
machucando. Não tenho orgulho disso, tenho até muita vergonha. Mas digo isso
para o seu bem. Digo isso porque lhe fazer sofrer me irrita mais ainda. Quando
eu estiver irritado, se proteja.
Se você quer me ajudar quando eu estiver com raiva, triste, mal-humorado
ou irritado, me lembre as coisas que eu tenho de bom. Se você reconhecer algum
esforço que eu tenha feito em nossa relação, a raiva ficará pequena. Se você me
fizer um elogio, me sentirei importante e a tristeza ficará de lado, ao menos
por um tempo. Se me contar algo engraçado, o mal humor deixará de tomar conta.
Se me convidar para fazer algo que eu gosto, minha irritação desaparecerá.
Aprendi a respeitar meus sentimentos negativos e a lidar com eles. Eles
não são causa, eles são efeitos. São os subprodutos emocionais dos eventos estressores
do meu dia-a-dia. Eles não me dão o direito de descontar nos outros e isso eu
reconheço que preciso melhorar. Só não me peça para fingir que não os sinto. Só
não me cobre que deixe de senti-los imediatamente.
| Quando
eu me afundar em um sentimento negativo, salve minha vida me levando até onde
o ar me inspire.
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Publicado no Jornal Democrata, coluna Crônicas de Padaria, capa do caderno Dois, 05/03/2016, Edição Nº 1397.



2 comentários:
Como sempre, leve na aparência e profundo na essência. Senti-me no texto e acho que todos que o leram e todos deveriam lê-lo poderiam autoavaliar-se de vez em quando e terem coragem de apontar suas fraquezas, suas covardias. Não somos perfeitos, mas o reconhecimento de nossa imperfeição e a humildade de dividi-la aproxima-nos da integridade que devemos buscar sempre.
Muito obrigado pelas palavras!
Necessárias neste dia!
Adoro ler suas cronicas!
Grande Abraço!
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